quinta-feira, 21 de maio de 2009

Degustando vinho

Outono e o frio batendo na porta: inicia-se a época do ano cujo consumo de vinho é mais propício.

Durante os próximos meses pretendo criar uma categoria específica sobre o assunto, e nada melhor do que começar com dicas de degustação.

Penso que todos que apreciam vinho, em especial quem não pode comprar vinhos top sempre, sente alguma dificuldade em comparar vinhos. Não digo tomar dois vinhos na mesma noite e definir o melhor: isso é fácil. O problema é conseguir se lembrar de um vinho que tomamos há um mês e compará-lo com o que está na nossa taça agora.

Para conseguir comparar vinhos, o essencial é conseguir analisá-lo sobre determinados aspectos, características fáceis de perceber e avaliar.

Vou falar um pouco sobre essas características essenciais do vinho - métricas - mas não usarei as expressões e conhecimentos formais sobre o assunto, como os utilizados pelos sommeliers e entendidos do assunto. Limitarei-me a algo mais informal: minha própria experiência. Aconselho, inclusive, você a fazer o mesmo: não se preocupe com os jargões bonitos e complexos empregados pela mídia, tome vinho e, se desejar analisá-lo, use conceitos que funcionem para você!

Abaixo segue uma lista com as principais características que percebo e me baseio para mensurar a qualidade de um vinho:

1. Corpo / estrutura

2. Acidez

3. Características específicas

O corpo é o "peso" do vinho, a sua percepção de estrutura dele. Um vinho com pouco corpo é aquele cuja sensação é de uma bebida "aguada". Essa característica, obviamente, pode ser percebida através do paladar. Mas outro sentido que nos ajuda bastante, principalmente caso se deseje comparar dois vinhos, é usar a visão: incline a taça, coloque-a frente um fundo branco, e analise a passagem de luz e coloração do vinho. Quanto mais encorpado, mais escura sua cor ficará e menos você conseguirá ver do fundo nas bordas. A coloração também muda, quanto mais envelhecido o vinho for, mais próximo escuro e marron ele se tornará. Outro truque é analisar as “lágrimas”: agite a taça, em círculos, para o vinho molhar a parte superior da taça, depois pare e analise como o vinho “escorre”. Quanto mais álcool e açúcar o vinho conter, mais “oleosa” ficará essa lágrima. É importante, no entanto, não julgar o corpo de um vinho pela quantidade de álcoo: a estrutura do vinho é formada por várias características, como envelhecimento, qualidade e espécie da uva e etc., a quantidade de álcool é apenas um dos atributos.

Observe que para ser um bom vinho, este não precisa necessariamente ser encorpado: a ocasiões que pedem vinhos leves, como calor, momento... Vinhos brancos e jovens, por exemplo, podem tranquilamente ser leves e mesmo assim ótimos.

A acidez é outro fator importantíssimo num vinho. Ela é percebida através da degustação e do aroma. Em vinhos de baixo custo, é comum a acidez ser muito grande, o que prejudica bastante o sabor. Nesses casos, uma dica é “decantar” o vinho: deixá-lo respirar por uns 15 minutos antes do consumo. Só um cuidado: se o vinho respirar por muito tempo, ele perderá uma boa parte do álcool, o que o afetará negativamente. E em casos mais extremo, este pode oxidar, “virar vinagre”.

A acidez, no entanto, é desejada: mas claro, em razão harmoniosa, que não prejudique o paladar.

Singularidades... É aí que está o fator decisivo. Essa característica é abstrata, não é possível definir atributos para medida, como no caso do corpo. Essas características únicas de um vinho podem ser as mais variadas: desde um aroma leve de baunilha, causado pelo envelhecimento em carvalho, um sabor mais adocicado e frutado, característica de um vinho jovem... Aqui é onde a poesia começa. Sinta bem o aroma do vinho, tentando identificar notas características. Tome o vinho, mantenha-o na boca por alguns instantes antes de ingerir e novamente observe com cuidado os sabores peculiares que podem surgir.

Essa é o momento onde diferenciamos um bom vinho de um excelente vinho. O vinho precisa ter vida própria, ser único. Um vinho que é ácido na medida certa, bastante encorpado, pode não agradar caso não tenha nada de diferente. Pra mim, aqui está o maior prazer em tomar vinho: esses sabores escondidos, “taninos”. Esse conjunto de sabores e aromas é denominado bouquet. Note que o bouquet também evolui ao decantar um vinho, principalmente aqueles mais envelhecidos.

Um fator bastante abstrato também é o equilíbrio: é errado afirmar que quanto mais encorpado um vinho for, por exemplo, melhor ele é: é necessário haver equilíbrio entre todas as características!

Só cuide para não se tornar demasiadamente detalhista ou poético nos comentários, pois a linha que separa os enófilos dos enochatos é tênue!

Caso deseje informações mais aprofundadas e acadêmicas sobre degustação, recomendo esse guia: http://www.academiadovinho.com.br/degustacao.php

segunda-feira, 4 de maio de 2009

14o. Festival Catarinense de Teatro

Esta semana ocorre o 14o. Festival Catarinense de Teatro, e desta vez será em Joinville.

O festival, que conta com 12 espetáculos principais - realizados no Juarez Machado, Cidadela Cultural Antarctica e em praças do centro - começa no dia 5 de maio e vai até o sábado, dia 9.

Além dos espetáculos principais, ocorrerá durante o dia oficinas e releituras das peças apresentadas. Confira a programação completa aqui.

Ingressos podem ser adquiridos na choperia Biergarten, no 1o. piso do Shopping Mueller e através do site www.ingressorapido.com.br .

A única forma da nossa cidade conseguir captar mais eventos culturais, e se distanciar do conceito "cidade industrial" e através do nosso patrocínio a eventos como esse. Participem!

Quem sabe assim não rumamos para uma virada cultural, assim como ocorreu com diversas cidades tidas como exclusivamente industriais que hoje são reduto de cultura?

Teatro é um assunto pouco falado nas mídias de Joinville, no entanto, o assunto vem conquistando espaço e hoje temos espetáculos de menor porte semanalmente. Uma boa dica é acompanhar o site http://www.teatroemjoinville.com.br, nele são noticiados todos os eventos teatrais que ocorrem na cidade.

Caso assista alguma peça, comente aqui no blog: é uma boa maneira dos apreciadores de teatro se conhecerem!

Grande abraço.